A Dívida Pública Federal encerrou agosto de 2026 em R$ 9,29 trilhões, segundo dados do Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional em 28 de setembro. Em julho, o estoque havia ficado em R$ 9,28 trilhões. A variação nominal foi de 0,04% no período.
O resultado reúne as obrigações financeiras do governo federal decorrentes da emissão de títulos públicos no mercado interno e externo. A evolução mensal do estoque é influenciada por operações de emissão e resgate, além da apropriação de juros, que atualiza o valor dos títulos ao longo do tempo.
Juros compensam resgate líquido de títulos
Em agosto, as emissões de títulos públicos somaram R$ 211,62 bilhões. Os resgates alcançaram R$ 296,05 bilhões, o que resultou em um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões. Isso significa que o Tesouro retirou do mercado um volume de títulos superior ao montante emitido no mês.
Mesmo com o resultado líquido negativo das operações, a dívida aumentou levemente. A principal razão foi a apropriação de R$ 88,39 bilhões em juros, valor incorporado ao estoque da dívida. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Fazenda com base no relatório elaborado pelo Tesouro Nacional.
Em termos simples, o estoque da dívida não depende apenas da diferença entre novas emissões e títulos resgatados. A atualização dos encargos financeiros também tem peso no resultado mensal, especialmente em um cenário no qual parte relevante dos títulos é remunerada por taxas que acompanham as condições do mercado.
Participação de títulos com taxa flutuante bate recorde
O relatório mostra que os títulos remunerados por taxas flutuantes representavam 52,74% da Dívida Pública Federal em agosto. Em julho, essa participação era de 51,11%. Segundo o Tesouro, trata-se do maior percentual da série histórica iniciada em dezembro de 2000.
Outros grupos também integram a composição do estoque. Os títulos vinculados a índices de preços correspondiam a 23,22% da dívida, enquanto os papéis prefixados representavam 20,31%. A composição indica como diferentes mecanismos de remuneração participam do financiamento das obrigações federais.
Os títulos com taxa flutuante têm remuneração associada a um indicador que varia ao longo do tempo. Por isso, sua participação pode aumentar ou diminuir conforme as estratégias de financiamento e as condições do mercado. O relatório apresenta os dados da composição, mas não atribui ao resultado uma avaliação política ou uma previsão para os meses seguintes.
Prazo médio aumenta e custo da dívida avança
O prazo médio da Dívida Pública Federal passou de 4,05 anos, em julho, para 4,10 anos, em agosto. Esse indicador representa o tempo médio até o vencimento dos títulos que compõem o estoque e é utilizado para acompanhar o perfil temporal das obrigações do governo.
Também houve aumento no custo médio acumulado nos 12 meses encerrados em agosto. O indicador passou de 12,45% ao ano, em julho, para 12,59% ao ano no mês seguinte. A métrica considera a remuneração dos títulos e outros efeitos que influenciam o custo de manutenção da dívida no período analisado.
Ao mesmo tempo, caiu a parcela da dívida com vencimento nos 12 meses seguintes. O percentual recuou de 18,91% para 16,39%. Esse dado é acompanhado porque mostra a concentração de compromissos de curto prazo que precisarão ser administrados pelo Tesouro Nacional.
Reserva de liquidez chega a R$ 1,208 trilhão
A reserva de liquidez do Tesouro terminou agosto em R$ 1,208 trilhão. De acordo com o relatório, o volume correspondia a 7,18 meses de vencimentos. Essa reserva funciona como um colchão financeiro para o pagamento de compromissos da dívida e para a administração das necessidades de financiamento do governo federal.
O Relatório Mensal da Dívida de agosto de 2026 está disponível no portal Tesouro Transparente. O documento detalha o estoque, as emissões, os resgates, os encargos e os principais indicadores do perfil da dívida pública federal.
A divulgação foi anunciada previamente pelo Ministério da Fazenda. Os dados consolidados servem de referência para acompanhar a evolução das obrigações financeiras da União e a forma como o governo administra seus vencimentos e fontes de financiamento.

