Na visão de Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO e especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, a qualidade de uma contratação de IA se inicia antes da assinatura do contrato, com a formulação de perguntas que visam garantir a adequação do serviço às necessidades da empresa. Demonstrações bem produzidas tendem a exibir o cenário mais favorável possível, e cabe à empresa investigar como a solução se comporta em circunstâncias distintas.
O mercado de inteligência artificial experimentou um crescimento exponencial, com a presença de fornecedores de perfis diversificados. Existem grandes provedores de nuvem, startups especializadas em setores específicos e empresas que adaptam modelos de terceiros com interfaces próprias. Para quem contrata, distinguir propostas sólidas de soluções frágeis nem sempre é simples.
A elaboração de um conjunto de perguntas bem formuladas contribui para a redução do risco em questão. Este checklist abrange os pontos que devem receber atenção durante a avaliação de fornecedores, organizados por tema, demonstrando como cada um deles influencia o resultado do projeto.
O que avaliar antes mesmo da conversa com o fornecedor?
A questão fundamental a ser considerada é: qual problema a empresa busca resolver? A ausência de um objetivo claro faz com que a avaliação se concentre nas funcionalidades apresentadas pelo fornecedor, deixando em segundo plano a necessidade do negócio. A definição do processo a ser apoiado, dos usuários envolvidos e dos indicadores de sucesso orienta todo o restante da análise.
Tal etapa, segundo Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, também revela as restrições do projeto. O tipo de dado a ser processado, as exigências regulatórias do setor, os sistemas com os quais a solução precisará se integrar e o orçamento disponível funcionam como filtros que eliminam alternativas inadequadas antes mesmo das reuniões comerciais.
Com o quadro definido, a empresa é capaz de comparar propostas segundo os mesmos critérios. Em vez de avaliar qual demonstração impressionou mais, é preciso verificar qual solução atende melhor ao problema, com o menor risco e o custo mais adequado ao valor esperado.

O checklist de perguntas ao fornecedor
Algumas perguntas ajudam a revelar a maturidade da solução e do fornecedor:
- Como os dados da empresa serão tratados? É preciso saber onde as informações ficam armazenadas, por quanto tempo, quem tem acesso a elas e se serão usadas para treinar modelos, além da conformidade com a LGPD.
- Qual modelo está por trás da solução? Entender se o fornecedor usa modelo próprio ou de terceiros ajuda a avaliar dependências, riscos de mudança de preço e capacidade de evolução.
- Como a qualidade das respostas é medida? Fornecedores maduros apresentam métodos de avaliação, taxas de acerto em cenários semelhantes ao da empresa e mecanismos para lidar com alucinações.
- Como a solução se integra aos sistemas existentes? Conectores disponíveis, padrões de integração, necessidade de desenvolvimento adicional e impacto sobre a arquitetura atual influenciam prazo e custo.
- Como o custo evolui com o uso? Modelos de cobrança por usuário, por volume de solicitações ou por processamento podem gerar valores muito diferentes à medida que a adoção cresce.
- Quais controles de segurança estão disponíveis? Autenticação corporativa, permissões por perfil, registros de auditoria e certificações de segurança da informação indicam o nível de proteção oferecido.
- O que acontece se o contrato for encerrado? A possibilidade de exportar dados, configurações e histórico evita que a empresa fique presa a um único fornecedor.
Nesse sentido, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em software e inteligência artificial, chama atenção para a questão do uso dos dados. Respostas vagas ou cláusulas contratuais genéricas nesse ponto costumam indicar riscos que podem comprometer a conformidade da empresa e a confidencialidade de informações estratégicas.
Como validar as respostas da inteligência artificial na prática?
Respostas convincentes em reuniões devem ser confirmadas em testes. A solução foi submetida a uma prova de conceito com dados reais da empresa, em ambiente controlado. Tal teste demonstrou o desempenho da solução em situações do dia a dia, que extrapolam os exemplos preparados para a demonstração.
De acordo com a avaliação de Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, essa prova de conceito deve ter critérios de sucesso previamente definidos. A taxa de respostas corretas, o tempo de resposta, a facilidade de uso e o custo projetado para o volume esperado permitem comparar fornecedores de forma objetiva, com base em dados da própria operação.
A análise contratual completa a validação. As cláusulas referentes aos níveis de serviço, às responsabilidades em caso de incidentes, ao tratamento de dados e às condições de saída devem refletir os termos acordados durante as negociações comerciais. A participação das áreas jurídica e de segurança desde o início evita surpresas na fase final da negociação, conforme apontado por Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, que atua como diretor de tecnologia.
Uma contratação orientada por evidências
Por fim, a contratação de uma solução de inteligência artificial envolve decisões que extrapolam a escolha da ferramenta em questão. Dados, segurança, integração, custos e dependência de fornecedor são aspectos que afetam a empresa por anos e que devem ser cuidadosamente examinados antes da assinatura.
A aplicação de uma checklist bem estruturada é fundamental para garantir a precisão e a conformidade do processo avaliativo, de acordo com Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia. A empresa utiliza perguntas claras, testes com dados reais e contratos alinhados ao que foi prometido, visando reduzir o risco de descobrir limitações apenas depois que a solução já está em uso.

