Em negociações de grãos, saber ouvir é tão importante quanto conhecer as condições da operação. Segundo o empresário Wander Aguilera Almeida, a intermediação começa pela compreensão das necessidades de cada lado, já que produtores e compradores possuem prioridades, prazos e expectativas que precisam ser considerados antes de qualquer aproximação. Quando essas informações são bem compreendidas, a negociação tende a partir de uma base mais clara. Veja quais aspectos tornam a escuta uma ferramenta importante nesse processo.
O que a escuta revela em uma negociação?
Uma negociação envolve mais do que o valor apresentado inicialmente. Quem participa da operação pode ter preocupações relacionadas a prazo, volume, disponibilidade ou às condições para concretizar a venda. Na análise de Wander Aguilera Almeida, ouvir com atenção ajuda a identificar essas questões antes que elas se transformem em obstáculos durante a negociação.
Essa compreensão também favorece uma comunicação mais objetiva entre as partes. Em vez de trabalhar apenas com informações superficiais, o intermediador consegue reunir elementos que ajudam a compreender o cenário de cada participante. O resultado é uma aproximação baseada em necessidades concretas, e não somente em uma oferta inicial.
Nem sempre a primeira necessidade é a mais evidente
Durante uma conversa, uma pessoa pode apresentar determinada condição como prioridade, enquanto outras questões permanecem implícitas. O intermediador precisa estar atento ao conjunto da negociação para compreender o que realmente influencia a decisão. É o que explica Wander Aguilera Almeida ao tratar da importância de entender o cenário antes de aproximar interesses diferentes.
Essa postura exige mais do que simplesmente transmitir informações de um lado para outro. Perguntar, esclarecer e confirmar o entendimento são etapas que ajudam a reduzir interpretações equivocadas. Quanto melhor compreendidas as necessidades envolvidas, mais consistente tende a ser a construção de uma negociação entre as partes.
Como a escuta ajuda a evitar desencontros?
Uma informação incompleta pode alterar a percepção sobre uma oportunidade de negócio. Quando expectativas, condições ou limitações não são compreendidas desde o início, surgem dificuldades que poderiam ter sido identificadas anteriormente. Na visão de Wander Aguilera Almeida, acompanhar atentamente o que cada parte apresenta contribui para diminuir esse tipo de desencontro.

A comunicação também precisa continuar ao longo da negociação, especialmente quando alguma condição sofre alteração. O intermediador atua como um elo entre os envolvidos e precisa acompanhar o que está sendo discutido para que as informações permaneçam alinhadas. Isso exige atenção tanto ao que é dito quanto ao que precisa ser esclarecido.
Intermediar também envolve saber quando não avançar
Ouvir bem não significa concordar com todas as condições apresentadas. Em determinadas situações, a análise das informações reunidas demonstra que os interesses não estão suficientemente alinhados para que a negociação avance. Conforme avalia Wander Aguilera Almeida, reconhecer essa situação faz parte de uma atuação responsável na intermediação de negócios.
A disposição para interromper uma aproximação inadequada também preserva a qualidade do processo. Uma negociação não se torna melhor apenas porque chegou a uma etapa mais avançada. Quando as condições não fazem sentido para os envolvidos, insistir pode gerar desgaste e dificultar futuras oportunidades de aproximação.
A confiança é construída na qualidade da comunicação
A atuação de um intermediador depende da relação estabelecida com diferentes participantes do mercado. Quando as informações são tratadas com atenção e as necessidades são compreendidas antes de qualquer encaminhamento, cria-se uma base mais consistente para o relacionamento profissional. Essa é a leitura de Wander Aguilera Almeida sobre o papel da comunicação nas negociações.
Mais do que falar por duas partes, intermediar negócios exige compreender as duas partes. A escuta permite organizar informações, identificar pontos de convergência e reconhecer limites antes que uma proposta seja apresentada. Assim, a intermediação deixa de ser apenas uma ponte entre pessoas e passa a contribuir para que a negociação seja conduzida com maior clareza e critério.

