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Mercado de créditos não performados ganha protagonismo no cenário financeiro brasileiro

Beatrice MontelliPor Beatrice Montellijunho 22, 2026Nenhum comentário4 Min de leitura
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Felipe Rassi
Felipe Rassi

Em um contexto marcado por juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito, o mercado de créditos não performados tem atraído atenção crescente de investidores institucionais e gestoras especializadas. Felipe Rassi, especialista em créditos estressados, explica que esse processo está refletindo tanto o aumento da inadimplência em determinados setores da economia quanto a sofisticação progressiva dos instrumentos utilizados para precificar e negociar carteiras de dívidas em atraso. A expansão desse segmento, ainda relativamente recente no Brasil quando comparada a mercados mais maduros, tem exigido das instituições financeiras uma readequação de estratégias voltadas à gestão de passivos problemáticos.

O que explica o crescimento do mercado de NPL no Brasil?

A combinação entre um ambiente de crédito mais restritivo e a necessidade das instituições financeiras de liberar capital regulatório tem impulsionado a venda de carteiras de crédito não performado para fundos e gestoras especializadas em ativos estressados. Bancos e financeiras encontram, nesse movimento, uma forma de melhorar indicadores de balanço sem depender exclusivamente de processos judiciais de cobrança, frequentemente lentos e custosos. 

Conforme analisado por Felipe Rassi, a maturidade crescente do mercado brasileiro de NPL também decorre de um histórico mais consistente de dados sobre recuperação de crédito, o que permite às gestoras precificar carteiras com maior precisão e reduzir parte da incerteza que historicamente afastava investidores estrangeiros desse tipo de operação.

Due diligence financeira como etapa decisiva na aquisição de carteiras

A análise prévia de uma carteira de créditos estressados costuma envolver um processo extenso de due diligence financeira, no qual são avaliados aspectos como perfil dos devedores, garantias associadas, histórico de pagamento e tempo médio de inadimplência. Falhas nessa etapa podem comprometer significativamente o retorno esperado de uma operação, já que a precificação de ativos estressados depende diretamente da qualidade das informações disponíveis sobre cada crédito que compõe o portfólio negociado. 

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Segundo Felipe Rassi, gestoras mais experientes tendem a investir tempo considerável na verificação documental e jurídica das carteiras antes de fechar qualquer negociação, reduzindo assim a probabilidade de surpresas relacionadas a créditos já prescritos ou a garantias que se revelam inexequíveis após a aquisição.

Investidores institucionais ampliam presença no mercado de distressed assets

Fundos de investimento voltados a ativos estressados ganharam relevância no Brasil ao longo dos últimos anos, atraindo capital de investidores que buscam retornos superiores aos oferecidos por aplicações tradicionais de renda fixa. Tal interesse crescente, contudo, convive com um nível de complexidade operacional relativamente alto, já que a recuperação efetiva de valor depende de estratégias jurídicas e comerciais bem estruturadas para cada tipo de crédito adquirido. 

Felipe Rassi elucida que a presença de investidores institucionais de maior porte tende a elevar o padrão de governança exigido das gestoras que atuam nesse segmento, pressionando por relatórios mais detalhados sobre performance e métodos de recuperação utilizados em cada carteira sob gestão.

Riscos jurídicos moldam a precificação de créditos estressados

A precificação de uma carteira de créditos não performados é influenciada não apenas por variáveis financeiras, mas também por riscos jurídicos associados a operações de cobrança e execução de garantias. Mudanças na jurisprudência e decisões judiciais podem impactar significativamente o valor justo dessas carteiras ao longo do tempo. A combinação de maturidade institucional, qualidade de dados e previsibilidade jurídica é crucial para o crescimento do mercado de NPL no Brasil, e gestoras que unem rigor analítico a um profundo conhecimento jurídico estarão em uma posição mais vantajosa em um mercado em consolidação.

A especialização setorial entre gestoras de créditos estressados é um diferencial importante, pois carteiras de segmentos como varejo, agronegócio e crédito corporativo apresentam dinâmicas de recuperação distintas. Equipes que desenvolvem conhecimento específico sobre devedores e garantias tendem a obter resultados mais consistentes. Além disso, a tecnologia desempenha um papel crucial, com ferramentas de análise de dados que cruzam informações históricas e perfis socioeconômicos, permitindo estimar com precisão a probabilidade de recuperação de créditos. Gestoras que utilizam modelos estatísticos avançados podem segmentar devedores conforme a estratégia de cobrança mais adequada, evitando custos desnecessários em abordagens judiciais. 

Felipe Rassi conclui que essa capacidade analítica, aliada à experiência em negociações, se torna um fator determinante na competitividade do mercado de ativos estressados, que continua a atrair novos investidores.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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