Ministério da Saúde amplia oferta de imunizantes até 1º de setembro e reforça combate ao sarampo em municípios com casos ativos
Muita gente guarda a caderneta de vacinação em uma gaveta e só se lembra dela quando é tarde demais. Foi pensando nisso que o Ministério da Saúde deu início, no começo de agosto, à Campanha Nacional de Multivacinação 2026, uma mobilização que corre até 1º de setembro e tem como ponto alto o Dia D, marcado para este sábado, dia 22. A proposta é simples de entender e importante de colocar em prática: identificar crianças e adolescentes com doses pendentes e completar o esquema vacinal antes que doenças já sob controle voltem a circular com força no país.
O que está sendo oferecido nos postos de saúde
Diferente de campanhas voltadas a um único imunizante, a multivacinação funciona por avaliação individual. Ao chegar à Unidade Básica de Saúde, o profissional confere a caderneta do paciente e aplica apenas as doses que realmente estão em atraso, sem repetir o que já foi tomado. Ao todo, são 20 tipos de imunizantes do Calendário Nacional disponíveis, cobrindo doenças como sarampo, poliomielite, tuberculose, hepatites, difteria, tétano, coqueluche, pneumonias e meningites. Uma novidade desta edição é a estreia da vacina pneumocócica 20-valente na estratégia, ampliando a proteção contra formas graves de pneumonia em crianças pequenas.
O público prioritário são crianças e adolescentes de até 14 anos, mas a orientação do ministério é que qualquer pessoa com dúvidas sobre a própria caderneta aproveite a campanha para regularizar a situação. Para isso, basta levar o documento físico ao posto ou consultar o histórico pelo aplicativo Meu SUS Digital, que reúne os registros de imunização integrados à rede nacional de dados em saúde.
Por que o reforço contra sarampo ganhou prioridade
Um dos eixos mais falados desta campanha é o combate à circulação do sarampo. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral já foram distribuídas aos estados e municípios em 2026, das quais cerca de 2,9 milhões já haviam sido aplicadas até o início de agosto. A intensificação da vacinação foi direcionada especialmente a municípios paulistas, entre eles São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, que receberam reforço extra no abastecimento, com 3,2 milhões de doses só para o estado.
Outra mudança recente diz respeito à poliomielite. Desde 3 de agosto, o esquema nacional passou a incluir um segundo reforço da vacina inativada aos quatro anos de idade, complementando o modelo que o Brasil adota desde 2024. O país não registra casos da doença há décadas, mas as autoridades de saúde reforçam que a manutenção de altas coberturas vacinais é a principal barreira contra a reintrodução do vírus.
Como participar do Dia D e o que levar
No sábado, 22 de agosto, postos de saúde de todo o país devem funcionar em horário estendido para facilitar a adesão das famílias. A recomendação é chegar com a caderneta física em mãos e, se possível, já conferir previamente pelo aplicativo quais doses aparecem pendentes, o que agiliza o atendimento no dia. Para quem perdeu o documento físico, os profissionais de saúde conseguem consultar o histórico diretamente no sistema, evitando reaplicações desnecessárias.
O Ministério da Saúde já distribuiu mais de 177 milhões de doses aos estados e ao Distrito Federal ao longo de 2026, volume que sinaliza o tamanho do esforço logístico por trás da campanha. Na edição do ano passado, mais de 7,5 milhões de doses foram aplicadas no período da mobilização, sendo cerca de 1 milhão somente durante o Dia D, um indicativo do potencial de adesão quando a campanha ganha visibilidade.
Para as famílias, o recado prático é direto: aproveitar as próximas semanas para regularizar a situação vacinal de crianças e adolescentes é uma forma simples e gratuita de proteção coletiva, especialmente em um momento em que a circulação de doenças como o sarampo voltou a preocupar autoridades sanitárias em diferentes regiões do país.
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