O Banco Central acelerou a evolução do Pix em apenas uma semana: eliminou o teto fixo por transação e lançou a jornada otimizada do Open Finance. O que isso significa para quem usa o celular para pagar?
Em menos de sete dias, o Banco Central fez duas mudanças relevantes no Pix por aproximação que passaram quase despercebidas no noticiário, mas que têm impacto direto no dia a dia de quem usa o celular para pagar. Primeiro, na semana anterior ao dia 22 de junho, o BC eliminou o limite fixo de R$ 500 por transação que valia para essa modalidade desde seu lançamento. Depois, nesta segunda-feira (22), lançou a chamada “jornada otimizada”: a possibilidade de o usuário ver o saldo disponível e o limite da conta antes de confirmar o pagamento, por meio de carteiras digitais integradas ao Open Finance. Juntas, essas mudanças redesenham o que o Pix por aproximação pode fazer e antecipam o próximo passo dessa tecnologia no sistema financeiro brasileiro.
O fim do teto de R$ 500: o que mudou e o que ainda vai mudar
O limite de R$ 500 por transação no Pix por aproximação era uma das principais queixas de quem usava a modalidade para pagamentos maiores, como compras em supermercados, farmácias ou postos de combustível. Com a remoção desse teto pelo Banco Central, o valor máximo por transação passa a ser definido pelos próprios bancos e instituições financeiras, que terão até 1º de outubro de 2026 para implementar a opção de personalização pelo próprio cliente. Na prática, isso significa que, a partir dessa data, cada usuário poderá definir o limite de quanto deseja gastar por Pix por aproximação, de acordo com sua rotina e nível de conforto com a modalidade. Quem prefere um teto baixo por segurança pode manter assim. Quem precisa de valores maiores poderá ampliar o limite sem burocracia.
Essa flexibilização é relevante do ponto de vista tecnológico porque remove uma das últimas barreiras que diferenciavam o Pix por aproximação do pagamento por cartão de crédito ou débito por NFC. Do ponto de vista da segurança, o Banco Central mantém as exigências de autenticação forte para transações que excedam determinados valores, e as instituições financeiras são responsáveis pelos controles adicionais. O usuário que tiver o celular roubado ou perdido pode bloquear imediatamente as transações por Pix no aplicativo do banco, da mesma forma que faria com um cartão. A questão prática que muitos ainda têm é sobre o risco de fraudes nessa modalidade, e a resposta do BC é que o sistema exige biometria ou PIN para pagamentos acima de determinados valores, impedindo que uma simples aproximação do celular desbloqueado gere um débito indesejado.
A jornada otimizada e o papel do Open Finance nessa evolução
A novidade do saldo visível está diretamente ligada ao Open Finance, o sistema de compartilhamento de dados financeiros regulamentado pelo Banco Central. Na lógica do Open Finance, o cliente é o dono dos seus dados e pode autorizar que diferentes instituições os acessem para oferecer serviços melhores. A jornada otimizada usa essa estrutura para que, ao vincular uma conta bancária a uma carteira digital, o usuário possa autorizar também que essa carteira veja o saldo disponível antes do pagamento. Antes dessa mudança, o processo exigia dois consentimentos separados. Agora, tudo acontece em uma única tela, com menos fricção e mais clareza sobre o que está sendo autorizado.
Segundo Matheus Rauber, do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC, a novidade abre espaço para que bancos e fintechs desenvolvam novos produtos com características de menor abandono de pagamento e conclusão mais rápida da compra, segundo declaração reproduzida pelo Jornal Opção. A Samsung Wallet, por exemplo, já havia lançado o Pix por aproximação em abril, e o Inter registrou crescimento de 64 vezes em pagamentos pelo Open Finance em determinado período, segundo dados citados pelo portal Let’s Money. Esses números mostram que o mercado já estava antecipando a demanda por soluções mais fluidas no checkout físico e digital. A evolução do Pix por aproximação, combinada com a expansão do Open Finance, posiciona o Brasil em um patamar tecnológico de pagamentos que poucos países desenvolvidos já alcançaram.
O que o usuário ganha e o que precisa checar antes de ativar
Para quem usa o Pix por aproximação no dia a dia, o conjunto de mudanças representa uma experiência mais completa e menos frustrante. Ver o saldo antes de pagar elimina a situação de constrangimento de ter uma transação negada na frente do caixa por falta de recursos. A remoção do limite de R$ 500 abre o uso da modalidade para compras maiores. E a personalização de limites, prevista para outubro, dará ao usuário controle sobre o quanto está disposto a gastar por essa via. Mas antes de ativar o compartilhamento de saldo, vale seguir alguns cuidados básicos: verificar se a carteira digital usada é regulamentada pelo Banco Central, ler com atenção o que está sendo autorizado na tela de consentimento e saber como revogar a autorização caso mude de ideia.
O Banco Central reforçou que o Open Finance exige consentimento explícito e autenticação forte em várias etapas, e que apenas instituições autorizadas pela autoridade monetária podem participar do sistema. A evolução do Pix por aproximação é, no fundo, um reflexo de um movimento maior: o Brasil está construindo, de forma consistente, uma infraestrutura de pagamentos digitais que tende a reduzir o uso do dinheiro físico e do cartão de plástico, tornando o celular o principal instrumento financeiro do cidadão nos próximos anos.
Fontes: Agência Brasil | Jornal Opção | Let’s Money
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

