O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram, em 30 de setembro de 2026, uma nota técnica com informações sobre a capacidade remanescente do Sistema Interligado Nacional (SIN) para a conexão de novos sistemas de armazenamento de energia. O documento deverá orientar os projetos participantes dos Leilões de Reserva de Capacidade de 2026 voltados ao armazenamento por baterias.
Identificada como NT-ONS DPL 0095/2026, a nota apresenta referências técnicas para avaliar onde essas instalações poderão ser conectadas à infraestrutura elétrica brasileira. A iniciativa ocorre em um momento de preparação regulatória para a contratação de potência por meio de baterias, tecnologia que pode ampliar a flexibilidade do sistema e apoiar o atendimento à demanda em períodos de maior necessidade.
O que a nota técnica estabelece
Segundo a ANEEL, o estudo considera a capacidade disponível para conexões na Rede Básica, nas Demais Instalações de Transmissão e em estruturas associadas a centrais de geração. A análise também contempla possibilidades de conexão indireta por meio das redes de distribuição, ampliando o conjunto de alternativas técnicas que podem ser avaliadas pelos empreendedores.
Na prática, a capacidade remanescente indica quanto da infraestrutura existente pode receber novos projetos sem desconsiderar as condições de operação do SIN. A definição não representa uma autorização automática para a instalação das baterias. Ela funciona como referência para os processos de cadastramento, análise e conexão previstos para os leilões, que ainda dependem do cumprimento dos requisitos estabelecidos pelos órgãos responsáveis.
Como as baterias podem atuar no sistema
Sistemas de armazenamento em baterias permitem guardar energia e disponibilizá-la posteriormente, conforme as necessidades operacionais da rede. Em um modelo de contratação de potência, o interesse está na capacidade de entregar energia em momentos determinados, contribuindo para a continuidade e a segurança do fornecimento no Sistema Interligado Nacional.
Essa característica também relaciona o armazenamento à expansão das fontes renováveis. A possibilidade de deslocar a entrega de energia para horários de maior demanda pode oferecer mais flexibilidade à operação, embora o desempenho de cada projeto dependa de sua localização, de seus equipamentos e das condições técnicas da conexão. A nota dos órgãos setoriais busca justamente organizar essas informações antes da contratação.
Relação com os leilões de reserva de capacidade
O Ministério de Minas e Energia publicou, em 3 de junho de 2026, as diretrizes para o leilão voltado a novos sistemas de armazenamento em baterias. Conforme informado pelo Ministério de Minas e Energia, a contratação tem como objetivo obter potência elétrica para reforçar a continuidade do fornecimento no SIN.
A Portaria Normativa MME nº 136/2026 estabelece o marco das diretrizes para o certame. Nesse contexto, a nota técnica elaborada por ONS, ANEEL e EPE fornece uma camada operacional ao processo: mostra a capacidade de conexão considerada nas diferentes partes da rede e ajuda a orientar a preparação dos projetos que pretendem participar da disputa.
A EPE mantém uma página específica sobre o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência Armazenamento 2026. O espaço reúne a nota técnica de capacidade remanescente, documentos de cadastramento, requisitos mínimos de conexão, metodologia locacional e informações relacionadas à participação de sistemas com equipamentos nacionais ou importados.
Por que a conexão é um ponto central
A localização dos sistemas de armazenamento influencia a capacidade de aproveitamento da rede e as condições para o atendimento das necessidades elétricas. Por isso, a análise não se limita à existência de um terreno ou à disponibilidade de equipamentos: também considera a estrutura à qual cada projeto poderá ser conectado e os requisitos técnicos aplicáveis.
Ao reunir ONS, ANEEL e EPE na avaliação, o documento articula as dimensões operativa, regulatória e de planejamento do setor elétrico. Para empresas, investidores e pesquisadores, a publicação oferece uma referência inicial para compreender as áreas e estruturas consideradas no planejamento dos leilões. Para o sistema brasileiro, o avanço representa uma etapa de preparação para incorporar baterias de grande porte à operação nacional.
A divulgação da nota técnica não encerra o processo de contratação. Ela organiza informações necessárias para os próximos passos dos leilões de 2026 e deixa claros os critérios de conexão que deverão ser observados pelos projetos interessados. O resultado final dependerá das regras do certame, da documentação apresentada e da avaliação técnica de cada empreendimento.

